SANTIFICADO SEJA O TEU NOME

Texto de Karl Barth, de seu livro O PAI NOSSO, discorrendo sobre a primeira petição: SANTIFICADO SEJA O TEU NOME:

Nosso Pai, nos céus, Tu nos falaste. Em teu Filho, Tu te fizeste Palavra, Tu te tornaste sensível e acessível a nós na carne, neste mundo. Aos sinais de Teu nome não falta luz. Não estamos sozinhos neste mundo. Tu tens tomado uma face humana, que nos é mostrada, e nós podemos compreender isto que Tu dizes por meio dela. Não vivemos num mundo sem Deus.

Teus profetas e Teus apóstolos estão sobre o mesmo plano em que nós vivemos. Nós os escutamos. Tua Igreja, a congregação daqueles que tens convocado e que continuas a reunir. Tua Igreja que vive sobre a terra e que tem sobrevivido a tantos séculos, no meio de tanta subversão, no terror e na fraqueza – malgrado tudo o que há para dizer sobre suas culpas – temos ouvido Tua voz através dela, através de sua obra.

Somos batizados, existimos nesta Igreja, entre Teus filhos, sendo nós mesmos Teus filhos; existimos entre Teus missionários, aqueles que tens encarregado de anunciar Tua palavra, e não se pode ser filho de Deus sem ser missionário. Temos a liberdade de crer, de querer, de obedecer. Isto significa que o mundo – este mundo no qual vivemos – e nossa própria vida, com seus limites, seus estorvos, suas dificuldades, suas complicações, e aquelas de nosso próximo, tudo isto não pode permanecer para nós um mistério absoluto. Há muitos mistérios, mas não vivemos num mistério absoluto; não estamos envolvidos pelo nada. A doutrina de Sartre e de Heidegger não é verdadeira, esta doutrina que mergulha de novo no paganismo. Sabemos que neste mundo, nesta humanidade, nesta história, há uma coisa certa: os sinais de Tua presença são luminosos; Jesus Cristo morreu e ressuscitou por nós, e não somente por nós, mas pelo mundo inteiro. Assim, a esperança dos homens está neste fato: Deus amou o mundo.

Tal é a realidade mostrada na morte e ressurreição do Senhor. E vivemos na memória deste fato e na expectativa da ressurreição geral. É neste sentido que dizemos: o Nome de Deus já está santificado. Eis a posição cristã. A chave do mistério está em nossas mãos.

Prossigamos. Porque está chave nos é dada, porque o Nome de Deus já está santificado, temos muito mais razão para orar: “Santificado seja o Teu nome”. Isto quer dizer: que nos seja dado, a nós e ao mundo – a este mundo, que não é pior nem melhor que nós – no meio do qual nós, as criaturas, temos a vantagem de Te conhecer, de sermos chamados a Teu serviço – que nos seja dado utilizar esta oferta incomparável de Tua parte; que Tua Igreja saiba fazer valer sua existência, que ela seja liberada de toda reação romanizante e de todo americanismo petulante, liberada do temor e da pusilanimidade, do espírito de  orgulho, de balelas. Que cessemos de somente folhear a Bíblia, em lugar de lê-la. Que moderemos um pouco nossa mania de citar a Bíblia, em lugar de viver com ela e deixá-la falar. Que oremos para que a Bíblia não cesse de nos interessar. Que a Bíblia não comece a nos fazer bocejar e que, em todas as suas partes, Tua palavra não se torne, em nossos cérebros e em nossas bocas, um assunto enfadonho; que ela não se torne mau sermão, mau catecismo, má teologia. Tudo isso é muito simples, mas também muito necessário.

Lutero explicou longamente que esta santificação devia manifestar-se na pregação. Um mau sermão é o contrário desta santificação. Que a Palavra de Deus torne-se, novamente, para nós, cada dia, a Palavra de Deus. Que ela não seja uma verdade, um princípio, alguma coisa que se ponha sobre a mesa, mas uma pessoa viva, o grande mistério e a grande simplicidade. E que os sinais desta Palavra de Deus, deste Nome de Deus, tornem-se visíveis para nós, no meio de nós, pela severidade e serenidade de nossa vida, de nossos costumes, de nossos hábitos. Oramos para que nos seja dado fazer ver esta grande alegria e esta grande paz, de que muitas vezes falamos. Que se note esta alegria e esta paz. Oramos para que a arrogância, a ignorância e a incredulidade “cristãs”, com as quais nós Te desonramos todos os dias, sejam detidas e suprimidas. Que esta chave, que tem sido recolocada entre nossas mãos, seja um poucochinho usada, a fim de que a porta, um belo dia, possa se abrir. Eis a santificação do Teu Nome. Vemos que existe algo para orar, por estes bens e esta realização, para que se faça isto que deve fazer-se ainda, e que não pode ser feito por nós.

Para que tudo isto se faça é necessário que Deus intervenha; Sua causa está em jogo. Nós, que somos responsáveis, somos tão pouco qualificados para sustentar esta causa. Que coisa enorme para nós ser responsáveis neste assunto, e quanto é absolutamente necessário que Deus, Ele mesmo, intervenha, para que nós não estejamos entre aquelas virgens loucas que não tinham o azeite!

Do livro: O PAI NOSSO, publicação de Fonte Editorial (E-mail: contato@fonteeditorial.com.br)
Postado com a devida permissão.

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