salmo 119 – verso 78

“Envergonhados sejam os soberbos por me haverem oprimido injustamente; eu, porém, meditarei nos teus preceitos.” (Salmo 119:78).

Há um tema que percorre a Bíblia toda, de Gênesis a Apocalipse, que tem início com a história de Caim e Abel e a maneira como cada um procurou aproximar-se do Deus Eterno.

Não havia entre eles qualquer diferença, pois ambos eram igualmente pecadores. O que os diferenciou foi a oferta que apresentaram diante de Deus. Entre Abel e Deus o sacrifício de um cordeiro inocente, cujo sangue precisou ser ali no altar derramado. Entre Caim e Deus os mais belos frutos que ele pode colher. Qual foi realmente o problema? Caim não conseguiu suportar ver Abel sendo aceito por Deus e ele não.

É também muito necessário destacar que Deus ofereceu a Caim a oportunidade para agir de maneira correta. Um princípio estava sendo claramente mostrado por Deus – a necessidade do derramamento de sangue para cobrir o pecado. Isto ficou claramente demonstrado na providência que Deus mesmo tomou em preparar uma roupa feita de peles de animais, para cobrir a nudez de Adão e Eva, antes de expulsá-lo do Édem. Caim rejeitou seguir por este caminho, continuou irado e disposto a fazer a sua própria vontade, mostrando-se soberbo, sem nenhum interesse em andar com Deus. E o que ele fez? Matou o seu próprio irmão.

E desde então a humanidade está dividida exatamente nestes dois grupos. Aqueles que reconhecem seu pecado e confiam na palavra de Deus de que “sem derramamento de sangue não há remissão.” (Hebreus 9:22). Entre estes estão todos quantos, ao longo da história, agiram da mesma maneira de Abel, que pela fé “ofereceu a Deus um sacrifício mais excelente do que Caim, pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por meio da fé, mesmo depois de morto, ainda fala.” (Hebreus 11:4).

No outro grupo, que chamaríamos os de Caim, seguem suas próprias teorias, criam suas próprias religiões, andam nos seus próprios caminhos, inclusive não se importam nenhum pouco em querer ouvir o que Deus tem a dizer e não suportam ver pessoas obedecendo a Palavra de Deus. O apóstolo João escreveu para os cristãos: “Não sejamos como Caim, que era do Maligno e matou o seu irmão. E por que o matou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão eram justas. Irmãos, não se admirem se o mundo odeia vocês. Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte.” (1 João 3:12-14).

Paulo fala também desta diferença entre os que amam a Deus e os que não O amam, e como estes últimos sempre perseguem de alguma maneira os que não compactuam com os seus pecados, ao escrever aos gálatas o seguinte: “Pois está escrito que Abraão teve dois filhos: um da mulher escrava e outro da mulher livre. O filho da escrava nasceu segundo a carne; o filho da mulher livre nasceu mediante a promessa. Estas coisas são alegóricas, porque essas mulheres são duas alianças. Uma se refere ao monte Sinai, que gera para a escravidão; esta é Agar.” (Gálatas 4:22-24). E por que razão Paulo toma este fato da história, também registrado no livro de Gênesis, como uma alegoria? Paulo quer mostrar este princípio de que há um grupo pronto sempre para perseguir e prejudicar o outro. Veja como Paulo resume o assunto: “Como, porém, no passado, aquele que nasceu segundo a carne perseguia o que nasceu segundo o Espírito, assim também acontece agora.” (Gálatas 4:29).

Para ficar mais claro esta distinção, basta meditar com cuidado na parábola do trigo e do joio contada pelo Senhor Jesus Cristo: “O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo. Mas, enquanto todos estavam dormindo, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e foi embora. E, quando as plantas cresceram e produziram fruto, apareceu também o joio. Então os servos do dono da casa chegaram e disseram: ‘Patrão, o senhor não semeou boa semente no seu campo? De onde, então, vem o joio?’ Ele, porém, lhes respondeu: ‘Um inimigo fez isso.’ Mas os servos lhe perguntaram: ‘O senhor quer que a gente vá e arranque o joio?’ O dono da casa respondeu: ‘Não! Porque, ao separar o joio, vocês poderão arrancar também com ele o trigo. Deixem que cresçam juntos até a colheita. E, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ‘Ajuntem primeiro o joio e amarrem-no em feixes para ser queimado; mas recolham o trigo no meu celeiro.’” (Mateus 13:24-30).

Em todo capítulo 119, encontraremos o salmista fazendo referência a esta realidade, como aqui no versículo 78: “Envergonhados sejam os soberbos por me haverem oprimido injustamente; eu, porém, meditarei nos teus preceitos.” Não fácil enfrentar pessoas que engendram calúnias, que distorcem os fatos, que fazem de tudo para derrubar uma pessoa de maneira injusta, que procuram afastar de uma vida de fé e pureza e assim trazerem desonra para a causa de Deus. O salmista não deseja ser envergonhado e nem que sua vida seja usada para trazer vergonha ao nome do Senhor, daí esta oração: “Envergonhados sejam os soberbos por me haverem oprimido injustamente”. O desejo do salmista, acima de tudo, é o de continuar meditando e obedecendo aos preceitos do Senhor.

Davi também registrou em diversos salmos esta perseguição por ele experimentada: “Estou cansado de clamar, e a minha garganta secou; os meus olhos esmorecem de tanto esperar por meu Deus. Os que, sem razão, me odeiam são mais numerosos do que os cabelos da minha cabeça; são poderosos os que querem me destruir, os que com falsos motivos são meus inimigos” (Salmo 69:3,4)

O apóstolo Pedro, em sua primeira carta, traz ensino abundante e precioso sobre a maneira como devemos agir no meio de uma sociedade que rejeita ao Senhor, muito embora muitos sejam “religiosos”. Este é um dado interessante, as perseguições mais violentas acabam sendo feitas por pessoas que supostamente são religiosas, como o próprio Caim o era. Pensemos bem e pratiquemos estas orientações dadas pelo Senhor: 

  • 1 Pedro 3:13-17 – “Ora, quem há de maltratá-los, se vocês forem zelosos na prática do bem? Mas, mesmo que venham a sofrer por causa da justiça, vocês são bem-aventurados. Não tenham medo das ameaças, nem fiquem angustiados; pelo contrário, santifiquem a Cristo, como Senhor, no seu coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que pedir razão da esperança que vocês têm. Mas façam isso com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam mal de vocês, fiquem envergonhados esses que difamam a boa conduta que vocês têm em Cristo. Porque, se for da vontade de Deus, é melhor que vocês sofram por praticarem o bem do que praticando o mal.”
  • 1 Pedro 4:12-16 – “Amados, não estranhem o fogo que surge no meio de vocês, destinado a pô-los à prova, como se alguma coisa extraordinária estivesse acontecendo. Pelo contrário, alegrem-se na medida em que são coparticipantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vocês se alegrem, exultando. Se são insultados por causa do nome de Cristo, vocês são bem-aventurados, porque o Espírito da glória, que é o Espírito de Deus, repousa sobre vocês. Que nenhum de vocês sofra como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se mete na vida dos outros. Mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe; pelo contrário, glorifique a Deus por causa disso.”

Finalmente, precisamos considerar que o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, tornou-se o exemplo maior de perseguição. Ele foi odiado, e de maneira mais violenta, pelos próprios religiosos de sua época. Observe suas palavras:  “O que eu lhes ordeno é isto: que vocês amem uns aos outros. Se o mundo odeia vocês, saibam que, antes de odiar vocês, odiou a mim. Se vocês fossem do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas vocês não são do mundo — pelo contrário, eu dele os escolhi — e, por isso, o mundo odeia vocês.” (João 15:17-19).

E no mesmo capítulo Jesus deixou claro este fato: “Se eu não tivesse vindo e lhes falado, eles não teriam nenhum pecado; mas, agora, não têm desculpa do seu pecado. Quem odeia a mim odeia também o meu Pai. Se eu não tivesse feito entre eles as obras que nenhum outro fez, eles não teriam nenhum pecado; mas, agora, não somente viram como também odiaram tanto a mim como o meu Pai. Isso, porém, é para que se cumpra a palavra escrita na Lei deles: ‘Odiaram-me sem motivo.’” (João 15:22-25).

Temos privilégios hoje que o salmista não possuía, no entanto podemos dizer como ele: “eu, porém, meditarei nos teus preceitos” e ao fazer isso, obedecer ao que a Palavra nos recomenda:

  • Não ter medo das ameaças, nem ficarmos angustiados.
  • Santificar a Cristo, como Senhor, no nosso coração.
  • Ter alegria na medida em que somos coparticipantes dos sofrimentos de Cristo.
  • Permitir que o Espírito da glória, que é o Espírito de Deus, repousa sobre nós.

Envergonhados sejam os soberbos por me haverem oprimido injustamente; eu, porém, meditarei nos teus preceitos.” (Salmo 119:78). Esta longa história iniciada com a desobediência em Gênesis vai chegar ao seu final. Cada dia que passa estamos mais próximos do momento em que haverá a separação do joio e do trigo. E como disse o profeta Daniel, preparemo-nos porque “haverá tempo de angústia, como nunca houve, desde que existem nações até aquele tempo. Mas, naquele tempo, o povo de Deus será salvo, todo aquele que for achado inscrito no livro. Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, outros para vergonha e horror eterno. Os que forem sábios resplandecerão como o fulgor do firmamento, e os que conduzirem muitos à justiça brilharão como as estrelas, sempre e eternamente.” (Daniel 12:1-3).

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